Páginas

sábado, 4 de abril de 2015

Caindo no Amor - Ato II - A chave

Estava de joelhos, ao todo me entregava, estava ajoelhado, diante de ti me abaixava, estava viciado em seus sorrisos, entorpecido em seus abraços e com abstinência dos seus beijos que ainda não existiam.
Eu estava diante da porta ou procurava uma, mas para quem está com os passos perdidos os muros se erguiam, mas para quem em prantos descia os murros já vinham, uma surra de realidade, nada doce, mas a mais pura realidade para o meu sonhar.
Os nãos secos que se sucediam, os vazios, espaços do tempo que tanto corria, estava em dependência da sua companhia, mas sempre na rua, sempre no mundo, sempre na vida de cego pra guia, de qualquer forma, você nunca me via.
Estava me apagando vendo-te junta a outras companhias, pessoas vazias, pessoas mentira, pessoas que te rondavam e me deixavam caído dia após dia.
Eu não pude me entregar a isso, eu tive os melhores sorrisos, eu tive a sua luz para mim, eu queria seguir pelo túnel da minha esperança, eu queria viver a vida te tendo "minha" criança, eu não pude me entregar, já estava acostumado a apanhar, então não importava mais o número de socos a me acertar, dei pontapés nos baldes para seguir sem me importar com os padrões.
O impossível estava diante de mim, todo nunca que eu ouvia, cada vez mais queria mover meus pés, cada vez mais 0,1% de chance eu queria, era minha luta de cada dia, o impossível estava a um passo, mas como dar esse passo eu não via.
Foi entre tropeços e tropeços, guerras internas, abraços seus com uma paixão próxima a materna que pude seguir tentando, a felicidade que me dividia. Estava feliz, mas não o tanto que queria, te via sorrindo, mas não o bastante para um dia.
Eu não achava a minha porta, mas eu queria estar além, atirei pedras em sua janela, onde podia estar contigo eu corria, enxugava suas lágrimas sempre que podia, fosse como fosse queria seu sorriso de cada dia, me sentia como Lúcifer queimando no fogo de sua paixão pela perfeição, me sentia tão egoísta, mas de um bem imenso todo dia..
Com o passar do tempo te entreguei tudo que de momento podia, te ver chorar em mim um tanto doía, você me acendia e me apagava todo dia, eu vi que estava me esquecendo do passo, eu vi que estava sem tentar, eu me vi parado no tempo, congelado diante do meu anjo sem saber como voar, não quis aparar suas asas, mas lutei para me levantar.
Quem disse que era pra frente que eu tinha que caminhar? Talvez só precisasse olhar melhor de um passo atrás, talvez seus gritos não fosse escutar, talvez seu sorriso não pudesse ver dali, mas tinha que tentar.
Com um passo atrás vi a chave do meu tesouro aparecer, "Eu quero você comigo" era como ele me chamava, a carência de tanto tempo, a esperança que se renovava, estava cansado, descansei por algum tempo, mas no fundo já sabia que era hora de uma porta atravessar.
A porta que estava diante de mim, mas não podia entrar, tinha que esperar meu direito divino para atravessar e ali estava. Passos cuidadosos "você está diante de tudo o que lutou, agora não é hora para se abaixar, agora não é momento de tropeçar". Minhas pernas tremeram mas sabia que com passos firmes tinha que caminhar.
O 0,1% chegou, aqui! aqui está! O infinito da probabilidade de poder realizar, meu anjo se abaixou para me ensinar como voar, meu anjo me reconheceu e me deu asas para voar.
Minhas feridas se curaram, a chave para tudo que eu queria era somente o esperar, a calma que não tinha e o passo imenso que queria dar, era só esperar o nevoeiro passar, o vento levou os males e me trouxe para ficar, a minha cura, meu vicio, meu doce afogar e cair no amor para me salvar.
O caminho que encontrei é por onde eu quero caminhar, tenho ainda passos para dar, os beijos ainda são sonhos mas os vejo tão perto de me alcançar, seu sorriso está desde a manhã e meu desejo já se estende além do sonhar... Hoje eu acordo com os anjos e já me perco da lucidez, sem saber se estou nos sonhos ou a realizar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário