Estava de joelhos, ao todo me
entregava, estava ajoelhado, diante de ti me abaixava, estava viciado em
seus sorrisos, entorpecido em seus abraços e com abstinência dos seus
beijos que ainda não existiam.
Eu estava diante da porta ou
procurava uma, mas para quem está com os passos perdidos os muros se
erguiam, mas para quem em prantos descia os murros já vinham, uma surra
de realidade, nada doce, mas a mais pura realidade para o meu sonhar.
Os nãos secos que se sucediam, os vazios, espaços do tempo que tanto
corria, estava em dependência da sua companhia, mas sempre na rua,
sempre no mundo, sempre na vida de cego pra guia, de qualquer forma,
você nunca me via.
Estava me apagando vendo-te junta a outras
companhias, pessoas vazias, pessoas mentira, pessoas que te rondavam e
me deixavam caído dia após dia.
Eu não pude me entregar a isso,
eu tive os melhores sorrisos, eu tive a sua luz para mim, eu queria
seguir pelo túnel da minha esperança, eu queria viver a vida te tendo
"minha" criança, eu não pude me entregar, já estava acostumado a
apanhar, então não importava mais o número de socos a me acertar, dei
pontapés nos baldes para seguir sem me importar com os padrões.
O
impossível estava diante de mim, todo nunca que eu ouvia, cada vez mais
queria mover meus pés, cada vez mais 0,1% de chance eu queria, era
minha luta de cada dia, o impossível estava a um passo, mas como dar
esse passo eu não via.
Foi entre tropeços e tropeços, guerras
internas, abraços seus com uma paixão próxima a materna que pude seguir
tentando, a felicidade que me dividia. Estava feliz, mas não o tanto que
queria, te via sorrindo, mas não o bastante para um dia.
Eu não
achava a minha porta, mas eu queria estar além, atirei pedras em sua
janela, onde podia estar contigo eu corria, enxugava suas lágrimas
sempre que podia, fosse como fosse queria seu sorriso de cada dia, me
sentia como Lúcifer queimando no fogo de sua paixão pela perfeição, me
sentia tão egoísta, mas de um bem imenso todo dia..
Com o passar
do tempo te entreguei tudo que de momento podia, te ver chorar em mim um
tanto doía, você me acendia e me apagava todo dia, eu vi que estava me
esquecendo do passo, eu vi que estava sem tentar, eu me vi parado no
tempo, congelado diante do meu anjo sem saber como voar, não quis aparar
suas asas, mas lutei para me levantar.
Quem disse que era pra
frente que eu tinha que caminhar? Talvez só precisasse olhar melhor de
um passo atrás, talvez seus gritos não fosse escutar, talvez seu sorriso
não pudesse ver dali, mas tinha que tentar.
Com um passo atrás
vi a chave do meu tesouro aparecer, "Eu quero você comigo" era como ele
me chamava, a carência de tanto tempo, a esperança que se renovava,
estava cansado, descansei por algum tempo, mas no fundo já sabia que era
hora de uma porta atravessar.
A porta que estava diante de mim,
mas não podia entrar, tinha que esperar meu direito divino para
atravessar e ali estava. Passos cuidadosos "você está diante de tudo o
que lutou, agora não é hora para se abaixar, agora não é momento de
tropeçar". Minhas pernas tremeram mas sabia que com passos firmes tinha
que caminhar.
O 0,1% chegou, aqui! aqui está! O infinito da
probabilidade de poder realizar, meu anjo se abaixou para me ensinar
como voar, meu anjo me reconheceu e me deu asas para voar.
Minhas
feridas se curaram, a chave para tudo que eu queria era somente o
esperar, a calma que não tinha e o passo imenso que queria dar, era só
esperar o nevoeiro passar, o vento levou os males e me trouxe para
ficar, a minha cura, meu vicio, meu doce afogar e cair no amor para me
salvar.
O caminho que encontrei é por onde eu quero caminhar,
tenho ainda passos para dar, os beijos ainda são sonhos mas os vejo tão
perto de me alcançar, seu sorriso está desde a manhã e meu desejo já se
estende além do sonhar... Hoje eu acordo com os anjos e já me perco da
lucidez, sem saber se estou nos sonhos ou a realizar.
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