Era uma tarde de outubro quando minha própria mãe fez com que seu sangue se transformasse em um veneno porque não podia mais suportar viver sem poder imaginar, aquilo doía muito para quem um dia foi uma artista renomada, ela nunca mais havia feito sequer um pequeno quadro.
Ela tinha medo de dormir, não dormia a dias, e o estado tinha terminado de proibir a eutanásia e a lobotomia de pessoas com Pandora na época, pois elas deveriam ser "estudadas", levadas para casas isoladas, forçadas a seus limites e mortas se resistissem.
Infelizmente, eu entendo muito desse último fato pois me tornei um mero cão do estado, meu nome é Henry York, eu trabalho atualmente no projeto Brainware, eu passei muito tempo no blackout e talvez isso seja uma das razões da minha atitude fria atual, além do fato de um dia ter pertencido a um estado que já não existe chamado Inglaterra.
Os estados do mundo antigo me trazem saudades, e pensar que as pessoas ainda discutiam fatores como política, uniões políticas, moda, entre outros fatores, ninguém pensava que chegaria um momento de unificação ou algo parecido com isso.
Não sei quantas culturas antigas estão a salvo agora e quantas foram destruídas, o mundo que antes lembrava do império romano, da Grécia e da Pérsia como algo antigo, agora olha para sua face a 20 anos atrás e vê um passado, muito, muito distante.
A Pandora reduziu a população mundial a 10% do que tínhamos quando ela começou, de 10 bilhões para 100 milhões, agora não passamos de um país com uma população na média atualmente, o mundo se resume a isso, não que 100 milhões seja pequeno, mas pelos estudos, a população irá cair nos próximos dois anos para 80 milhões e assim por diante.
As pessoas com Pandora sempre dão um jeito de se matar, e quando não, levam muitas pessoas junto quando morrem, seus filhos normalmente são estéreis, morrem no nascimento, ou desenvolvem sérios problemas cerebrais, isso quando as mães não os matam por medo de que vejam no que o mundo se tornou.
A caixa está aberta, eu agora estou esperando que o mais importante dela não se perca... A esperança.
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